FOMO - Fear Of Missing Out

E se eu te contar que tu não tá perdendo nada?

O mundo está acelerado. Mudanças ocorrem o tempo todo e isso cria, na nossa vida, uma sensação de perda muito forte.

Se você trabalha com tecnologia como eu, essa sensação deve ser ainda maior, por conta da velocidade com que as inovações chegam ao mercado.

Novas tecnologias, novas linguagens, novas formas de resolver os problemas (ou velhas formas com um nome novo mais legal).

O maior problema disso é que nós, como seres humanos, não gostamos de perder. Não gostamos de nos sentir por fora do assunto, ultrapassados, obsoletos. A sensação de estar para trás é muito amarga (lógico que isso pode variar de pessoa para pessoa).

Vamos exemplificar isso: Pare agora mesmo e perceba quantas abas abertas você tem “esperando para ler depois”. Ou se você for mais organizado, quantos links diferentes você “salvou para ler mais tarde”. Quantos posts, tweets, publicações você salvou para ler depois? Tudo isso porque você não quer perder nada.

E se aquele post tiver um insight que vai resolver tudo? E se aquele tweet te der uma dica de ouro? E se aquela conexão for a que vai te trazer aquele emprego tão sonhado?

O excesso de oportunidades nada mais é do que caos. Nós acreditamos que cada uma dessas coisas pode mudar a nossa vida e isso nos faz querer não perdê-las. Não me entenda mal, talvez alguma delas possa mudar a sua vida, mas, na prática, 99% delas não vai fazer tanta diferença assim.

“Mas Rogerio, qual é o problema de tentar acompanhar as novidades?”

Nenhum. Mas eu quero que você faça um exercício comigo.

Imagine que você vai apostar corrida com um carro. Não existe problema nenhum em correr contra um carro. O problema é você acreditar que pode vencer esse carro.

Consciência é uma palavra que eu gosto muito e é isso que eu quero te trazer aqui. FOMO é uma coisa que nós desenvolvemos pela maneira como o mundo atual se construiu. A ansiedade de não perder nada devora a nossa paz.

“Entendi Rogerio, então o que fazer agora?

Primeiro, eu quero deixar claro que eu não trago respostas, parte de quem eu sou tem a ver com questionar as coisas. Eu quero trazer reflexões que uso para lidar com a minha ansiedade de não perder nada.

#1 - Isso é interessante?

É bem comum receber aquele link com um título extremamente interessante, mas o conteúdo nem sempre é. Esse texto mesmo pode até ser o caso para você. Ao recebê-lo parece algo promissor, mas quando começar a ler você se decepciona (espero que não seja o caso).

O que eu faço é bem simples, antes de começar a ler algum texto eu procuro praticar uma técnica conhecida como Skimming (Deslizar os olhos?).

A ideia é deslizar os olhos pelo texto e captar as ideias sem muita profundidade, apenas para ter uma visão geral. Isso me permite decidir se vale a pena separar um tempo para ler aquilo ou não. Vou deixar um link no final sobre algumas técnicas de leitura, mas eu faço isso com outras coisas também como vídeos, livros, cursos e qualquer outro assunto.

#2 - O que eu vou ganhar com isso?

Sim, eu tenho bastante interesse em ganhar alguma coisa com as coisas que eu faço. Ler esse texto vai me ajudar em algo? Esse é um assunto que vai me tornar um profissional melhor? Uma pessoa melhor? Vou me divertir?

Entenda bem, o valor aqui é muito relativo para cada um, algumas pessoas prezam valor financeiro, outras intelectuais, mas cada uma tem algo que gosta de ganhar mais. Investir seu tempo em coisas que não te fazem ganhar nada só porque muita gente está falando disso (alo hype) é bobagem.

Vou dar um exemplo bem simples da minha vida: React.

É um assunto que eu não invisto meu tempo, pois não é uma ferramenta que vai me enriquecer como profissional (não é o foco da minha carreira, isso não tem a ver com a ferramenta em si), não é um assunto que eu acho divertido, mas tem muita gente falando disso.

Percebe como eu não ganho nada com isso?

#3 - Comecei sim, terminar é outra história

Você já deve ter ouvido aquela história de “menos iniciativa, mais acabativa” e, apesar de isso ser produtivo, tem um grande problema.

Se eu só puder iniciar uma coisa quando acabar outra, eu vou enlouquecer.

Não me entenda mal, o foco em uma coisa apenas é extremamente importante e eu uso isso em 80% do meu tempo.

O que acontece é que eu uso esses outros 20% para fazer experimentos. Começar um livro, um projeto, um artigo, um jogo, qualquer coisa que eu possa simplesmente abandonar sem compromisso nenhum, sem culpa (Sim, eu tô olhando para vocês cursos da Udemy).

#4 - Perdão

Já faz 200 mil anos desde que a pandemia começou e de lá pra cá eu tive a oportunidade de aprender a perdoar uma pessoa importante: Eu.

Aquela task de 1 hora que durou uma semana. Aquele livro que eu coloquei na meta do semestre e nem abri. Aquele curso que eu comprei e só assisti o primeiro módulo. Tudo isso e mais tá perdoado.

Não me entenda errado, eu ainda quero fazer essas coisas: ser produtivo, aprender mais e muitas outras coisas que necessitam esforço. Mas se eu não conseguir, tá tudo bem.

O quanto você tem se perdoado sobre tudo isso que não tá rolando?

Para fechar a conversa

Como eu disse antes, a ideia aqui é gerar consciência.

Cada vez mais, a ansiedade toma conta e o medo de ficar para trás aparece. Alguns dias são bons, outros ruins. A brincadeira é aprender com os dias ruins e aproveitar os dias bons. Aproveita a jornada, afinal:

Ninguém nasce mestre, a gente busca ser um.

Links

  • https://student.unsw.edu.au/reading-strategies

  • https://maestria.substack.com/p/ser-melhor-todo-dia

Loading more posts…